quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Era um garoto...

Ele estava tão confuso que não saberia explicar onde começavam suas dúvidas. Tudo o que se podia imaginar o estava incomodando. E ele mantinha seu sorriso externo. Todos os que o conhecessem de uma maneira superficial o julgariam uma pessoa plenamente feliz, e que carregava sua felicidade para espalhar entre os outros.
Um olhar mais profundo revelaria alguém mais imerso em complexidades. Ele não era nem estava feliz. Ele estava confuso. Confuso por não ter coragem para se rebelar. Confuso porque o que ele fazia não o agradava, e ele não fazia nada para mudar. Confuso, porque ele se sentia mal e não conseguia expressar.
Ele queria conseguir chorar, gritar. Ele queria agir. Faltava alguma coisa que ele julgava ser coragem, e talvez o fosse. Às vezes ele se via forçando uma música melancólica que pudesse transmitir a ele o que ele queria sentir. Mas como alguém pode querer sentir melancolia? Ele queria, embora também não tivesse a resposta para essa pergunta. Seu mundo era complicado demais, e ele não se encaixava.Talvez faltasse se olhar no espelho e se enxergar. Mas ele não se via. Ele não era o que gostaria de ser. Se se mirasse no espelho, talvez visse uma sombra. A sombra o olhava sorrindo, e ele partia para mais um dia igual a todos os outros.

4 comentários:

Vinícius D'Ávila disse...

Por alguns segundos pensei que falava de mim...
Mas depois percebi que apenas não estou sozinho...
A complexidade eh uma virtude!

Éverton Strittich disse...

Nem sempre encontramos as respostas em nós mesmos. As vezes precisamos de alguém para nos mostrar o lugar mais seguro, precisamos de uma inspiração para não fazer as coisas que alguém um dia já fez e se machucou. O problema não é se encontrar, é entender a razão. O que fazemos é aceitar as condições e nos provar que podemos ser cada dia melhores, sem levar em conta nenhuma variação de humor. Fugir, chorar, gritar é fácil. Ninguém quer entender a razão, todos fogem dela. Suas palavras soaram como uma faca para mim. Pude me lembrar de todo o meu passado, mas para o futuro, eu me jurei que sempre andarei do lado certo da calçada.

Lucas disse...

Era um garoto... que podia ser chamar lucas...
A complexidade interior, essa confusão de sentimentos e pensamentos, é comum em praticamente todos os seres humanos.
Mas o texto trata do tema com precisão, que é até estranho ler, prq vc não imagina que outras pessoas sintam o msmo.

Parabéns álvaro.
Não podia começar melhor o blog.

Laila disse...

Começou bem o blog. E, como já disseram, não se sinta sozinho. Todos nós nos encondemos por trás do parecemos, com medo de nos afirmarmos como realmente somos. Por alguns momentos, os sorrisos e a felicidade externa pode, de verdade, nos aliviar daquilo que tanto tememos e nem sabemos do que se trata.
Sabe, é disso que se trata a vida!
Agora... me fala!! Vão ter muitos textos aqui??? ;)
Beijos tchucooo!!