quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Aquela-que-pensava-que-sabia

Ele tinha a mania, a quase extinta mania de escrever. E sua criatividade o fazia escrever sobre tudo, de todas as formas. E sempre se surpreendia com os resultados de sua pena arranhada no pergaminho que ele guardava com carinho. Sem que ele soubesse, as pessoas tinham acesso a seus devaneios, e se identificavam com eles. Ele sempre gostou muito dela, e ela o lia com freqüência.
Depois de alguns textos, ela acreditou tê-lo desvendado. Mal sabia ela que não passara nem perto. Ele tinha seus truques, sim. Truques que gostava de preservar. Talvez a forma de rabiscar, que lhe era peculiar e da qual não abria mão. O fato é que os leitores ávidos tentavam abordá-lo, descobri-lo, e ele mantinha sempre a fórmula da simplicidade.
Ela não acreditava que toda aquela emoção poderia ser advinda apenas da imaginação, e de fato não vinha. Contudo, julgava ele, as experiências vividas não precisavam ser meticulosamente traduzidas uma a uma, em cada texto, em particular.
E nem tudo era mesmo real. Mas enfim, havia quem não acreditasse. Nem mesmo ele saberia dizer com eficiência quais teriam sido suas inspirações durante os longos metros de pergaminho que, desdobrados, invadiam seu quarto. Talvez ele se decifrasse um pouco a cada texto. E se divertia também. Mas embora nem mesmo ele soubesse precisar como surgia sua obra, parecia ter gente que sabia fazê-lo com perspicácia.

5 comentários:

Laila Hallack disse...

continuo defendendo que por trás das suas palavras é possível descobrir muito sobre vc, até sobre seus truques! e mesmo que a gente não consiga, é isso que se faz quem admira um autor ou uma obra (que chique vc!!)
mas de qualquer forma,
para variar!
gostei!!

Éverton Resende disse...

Todo dia alguém já pensou que sabia de tudo. Hoje o que eu sei é que eu não sei de mais nada e prefiro continuar sabendo muito menos que isso. Questão de precaução!

Leti * disse...

Simplesmente identificação ...
Mesmo que não se perceba, mesmo que tudo seja misterioso e às vezes fora de contexto ...
Até pq a gente não precisa saber sempre o que está por trás, o mistério, os truqes fazem com que tudo seja mais intenso!

Identificação, mais uma vez!!


^^

Mr. HaG disse...

Assim como o Vinícius D'Ávila, você é outro que também escreve infinatmente bem! Ah, também, você faz jornalismo!

Mesmo que você não apareça lá no meu BLOG, eu ainda não deixo de aparecer aqui pra comentar, TÁ!?

Só pra te lembrar:

http://diegohag.blogspot.com

ALiNE PATRíCIA disse...

Creio que aí está a representação da verdadeira alma de um escritor...
Vc escreve muito bem, as palavras não se mostram soltas, mas há como que um elo de significação ligando todas as partes do texto perfeitamente! Seu discurso mostra que tens o verdadeiro dom, para aqueles que nisso acreditam...

rsrsrs
Valeu a pena a bisbilhotada nos links do blog do Hag!

Boa Noite