segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Aquele-que-não-sabia-de-nada

Ele talvez fosse uma pessoa irritante. Para começar, não sabia seu nome. Cresceu então sem saber de muita coisa. Não sabia o que gostava de comer, nem se gostava de comer. Não sabia o que queria da vida, não sabia como se sentia e nem se sentia alguma coisa.
Ele também nunca soube se era relevante no mundo, e também não parecia fazer questão de saber. Ele simplesmente não buscava conclusões. Sua vida tomava um curso que ele não sabia nem queria definir. Ele vivia por viver, e deixava-se viver assim.
Seu envolvimento com as pessoas era sempre um mistério, ele nunca sabia o que sentia por elas. Quando eram amigos, nunca sabia a intensidade daquele sentimento. Quando amantes, não sabia se estava apaixonado. Ele tentava não se incomodar com isso tudo, e parecia que também não sabia se incomodar.
O fato é que essa incerteza contínua às vezes o irritava. Mas para variar ele simplesmente não sabia como modificar aquela situação. E por comodismo, aprendeu a lidar com a dúvida. Ele gostava quando tentavam mostrá-lo que ele sabia alguma coisa. Mas ele sabia não saber.
Em toda sua dúvida, porém, ele tinha certeza que não saber das coisas o fazia menos preocupado com tudo. Como ele não saberia lidar com qualquer situação, para ele era fácil não ter domínio sobre ela. Um dia, porém, ele acordou achando que sabia. Ele só não conseguia identificar o quê.

2 comentários:

Laila Hallack disse...

adorei!!!
e brigado pelo comentário!!
=)
vc é foda!

Guido disse...

Falai Alvaro

Você escreve muito bem cara, Parabéns.

Podia escrever resenhas de livros aqui no seu blog, terminei de ler o Código Da Vinci (muito bom) e estou à procura de novos autores :)

Abraços.